terça-feira, 18 de agosto de 2015

CONSELHO ESTADUAL DE REPRESENTANTES DO SINTEPP - Está na hora de desmontar os palanques e discutir a educação


Aconteceu nesse último final de semana na capital paraense o encontro do Conselho Estadual de Representantes. Esse conselho é representado por membros das subsedes que formam o Sintepp. O evento tinha como uma de suas pautas principais a posse da nova coordenação estadual, cuja escolha aconteceu através eleição que ocorreu no mês de maio desse ano, em pleno período da greve na rede estadual.
Assim como no congresso, o evento inicia-se com a análise de conjuntura feita por representantes das forças políticas. É a análise feita em forma de pirâmide invertida, do geral para o específico. Parte-se do princípio de que é preciso compreender o que acontece no mundo para se poder compreender o que acontece no nosso país, no nosso estado e no nosso município. 
O problema é que, esse momento tão importante para formação política dos participantes, acaba se transformando numa verdadeira disputa política, entre as "forças" ali representadas. Ficando o debate da educação propriamente dito esvaziado. Mas há gente que insiste em dizer que precisamos saber se a Grécia vai ou não dá um calote no FMI para sabermos o porque o Plano de Carreira Unificado nunca ter sido aprovado em Marabá, por exemplo. Ou que temos que saber no que a reaproximação entre Cuba e EUA poderá afetar nossos movimentos de greve. 
Ainda há os que tentam provar que o Brasil não passou por uma crise financeira em 2008. O Estado Islâmico deve ou não ser combatido pelas forças aliadas? É legítima a luta do povo palestino, ou Israel não deve aceitar um tratado de paz sob a intervenção americana? Tem gente que rasga a garganta para convencer os ouvintes de que o governo Dilma é sim um governo que representa os trabalhadores. Outros sobem num palanque imaginário de sua embriaguez para desqualificar e atrapalhar todo o trabalho que está sendo feito no encontro só para mostrar que é contra! E é contra e vai ser contra sempre!
Para esse debate "caloroso" e "empolgante" para as "forças" ali representadas é dedicado a maior parte do tempo do evento, às vezes, chega até a ser a parte mais importante. Os conselheiros é quem se enfadam de tanto ouvir e ver se repetir de congresso a congresso, de CER a CER a mesmíssima coisa! 
Tá, vá lá! Num encontro da CUT, da CTB, da Conlutas, da Intersindical, do MSR, e tantas outras siglas, tudo bem que se fizesse esse debate. Agora, num encontro de conselheiros do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará creio que a prioridade seria debater a educação pública do estado do Pará, ou não seria? 
As forças que deviam estar à frente, fazendo o debate, seriam os coordenadores regionais, os representantes das subsedes. Como foi feito num curto tempo em que os coordenadores regionais foram convidados a fazer um balanço da campanha salarial de 2015. Nessa hora, ouviu-se os educadores. Os políticos de carreira frustradas ficaram calados. Os revolucionários de araque, que ainda teimam em usar uma boina e vestir vermelho, numa representação quixotesca  de um Che Guevara, calaram-se nesse momento.  
É necessário fazer uma reavaliação da estrutura desses encontros. Torná-los mais produtivos no que diz respeito ao debate dos problemas da educação. Penso que o Congresso Estadual e o CER devam ser instâncias de debate e planejamento da luta dos trabalhadores em educação, pois são esses quem financiam esses eventos com suas contribuições voluntárias de filiados e/ou com o pagamento compulsório do imposto sindical. Quando isso acontecer, podemos ter certeza, não mais teremos uma greve desastrosa como foi essa que durou mais de dois meses e saímos com a sensação de derrota.  

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