terça-feira, 17 de junho de 2014

SISTEMA DE CICLO EM MARABÁ ESTÁ FALIDO, DIZ SECRETÁRIO

Aconteceu ontem reunião com secretário de educação e diversas representações, entre elas o Conselho Municipal de Educação e o Sintepp. O objetivo foi tratar do grau de letramento dos alunos do primeiro ciclo da rede municipal de educação. O secretário mostrou-se preocupado com os números levantados por sua equipe, que foram retirados das estatísticas encaminhados à secretaria pelas escolas. Os números são de fato reveladores e preocupantes.
No polo da Nova Marabá, por exemplo, das cinco escolas tomadas por amostragem de um universo de 318 alunos que terminaram o 3º ano do primeiro ciclo apenas 112, isto é, 37,64% foram tidos como alfabetizados. Nesse mesmo grupo de escolas, de um total de 296 alunos que concluíram o 4º ano, apenas 87 produz texto coerentemente. 
No Polo da Cidade Nova foram analisadas as escolas os números foram mais alarmantes - de 348 alunos que terminaram o 3º ano do primeiro ciclo, apenas 99 estavam alfabetizados, isto significa 28,84%; ou seja, 71,16% desses alunos terminaram o primeiro ciclo sem estar alfabetizados. Nos demais polos a realidade não é diferente. O nível de alfabetização dos alunos continua o mesmo. 
Durante a reunião foram feitas várias colocações dos presentes, segundo a professora Jaide, representante do CME, esses números poderiam ser bem piores, pois em muitos casos são mascarados pela escola para encobrir a realidade. O secretário de educação foi bem enfático em dizer que, se isso acontece é por irresponsabilidade do gestor escolar; se comprovado, isso é caso de afastamento do diretor.  Jaide denunciou também, que em muitos casos, quando o professor entrega ao coordenador da escola um mapa de notas mostrando o baixo desempenho da maioria dos alunos, o mapa de notas é devolvido ao professor para que ele "conserte" as notas.  (Será que isso acontece mesmo? Acho que não!) Fato esse que vai mascarando uma realidade que estoura mais na frente quando o aluno progride para séries mais avançadas sem nenhum aprendizado. "Isso é um absurdo, temos que acabar com isso, se o aluno não tem condições, não deve progredir", disse o secretário de educação. 
Dentre as possíveis soluções para esse problema, há a proposta da secretaria de rever a proposta de ciclo para o município. Segundo a equipe do secretário, em muitos estados e municípios esse sistema já foi superado. O secretário pretende, segundo ele, dialogar com todos os diretores e coordenadores a fim de tirar um encaminhamento para o problema. 
Nossa crítica: como costuma dizer o prefeito - "não importa a cor do gato, contanto que ele pegue o rato" - nesse caso o rato é bem feio. Não importa o nome que se dê ao processo, ciclo ou serie, o que importa é que a criança termine um processo com competências adquiridas. Está evidente que há alguma coisa errada nesse processo, é preciso descobrir o erro e corrigi-lo. É preciso dar maior suporte e tranquilidade ao professor alfabetizador. É preciso estabelecer com clareza as competências que se quer alcançar nesse período da vida escolar. É preciso diagnosticar com seriedade, uma avaliação externa é uma boa ferramenta para isso. 
Alfabetizar não é pra qualquer um, tiro meu chapéu aos e às nobres colegas que se dispõem a essa missão. 


Reações:

2 comentários:

  1. Concordo em termos com o secretario, realmente o sistema em ciclo anda meio falido. Mas não concordo com o método aplicado e com as condições de trabalho nas escolas e dentro da sala de aula.
    1º Para o almejado sistema dar certo, ainda precisa de muitas mudanças nas estruturas físicas e pedagógicas das maiorias das escolas.
    2º Nenhum sistema dar certo se não houver investimento, principalmente os "ciclos".
    3º Para o sistema dar certo, vamos parar de blá, blá, blá...e fazer o que realmente precisa.
    Ex: *Uma sala de reforço com professora fixa para dar apoio aos alunos com pior rendimento escolar, especialmente aos alunos do 3º ano.
    *Uma professora auxiliar nas salas de 1º e 2º ano.
    *Mais ação e menos cobrança da gestão escolar,
    *Salas de aulas no máximo 25 alunos, com salas superlotadas, será impossível!!!
    *Dentre outros...

    Sempre falo e repito, se não for assim, não adianta, não vai dar certo.

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  2. Nas condições que as escolas sobrevivem, nem ciclos nem series.
    O sistema precisa investir mais, fazer mais e falar menos.
    O secretario é so bla bla... tenho certeza que ele nem procurou saber como deve funcionar um sistema de ciclos pra sair dando essa opinião.

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