terça-feira, 2 de julho de 2013

COLOCAÇÃO PRONOMINAL CONTEÚDO E EXERCÍCIOS - REDAÇÃO DO ENEM TRABALHANDO A COMPETÊNCIA I (AULA 5)

1. COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Os pronomes oblíquos átonos: me, te, o, a, lhe, se, nos, vos, os,as, lhes, se exercem diversas funções sintáticas:
a) Objeto Direto:(me, te, se , o, a, nos, vos, os, as), quando completa o sentido de um Verbo Transitivo Direto. 
Exemplos: Ela me falou a verdade.
                Pediu-me para ficar.  
                Falar-te-ia toda a verdade.   

b) Objeto Indireto: (me, te, se, lhe, nos, vos) quando completa o sentido de um Verbo Transitivo Indireto. Observe que o mesmo pronome pode funcionar tanto como objeto direto quanto como objeto indireto, por isso é importante observar a predicação do verbo, ou seja, se o verbo é VTD ou VTI. 
Exemplos: Fernanda me perdoou o erro.
                 O professor não me perdoou o texto copiado da internet.
                 Perdoou-me a garfe.
                 Perdoar-lhe-ia o atraso?
                 Perdoar-nos-ão a falta de interesse?
c) Sujeito Acusativo: quando em um Período Composto por Subordinação tivermos uma Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta, e o verbo dessa oração estiver no infinitivo ou no gerúndio, o sujeito desse verbo será um pronome oblíquo e será chamado de sujeito acusativo
Exemplo: 
              A justiça fez-me pagar uma pena. (Na linguagem coloquial "A justiça fez eu pagar uma pena)
                                   (o pronome me é o sujeito do verbo pagar, representa eu "eu pagar uma pena").
d) Adjunto Adnominal: as vezes, apesar de estar ligado a um verbo, os pronomes me, te, lhe, vos, nos, lhes indica a posse do objeto do verbo, nesse caso o pronome será um adjunto adverbial de posse.

Exemplos: A polícia entregou-lhe o filho desaparecido. (entregou o seu filho desaparecido).
                Cortaram-lhes as asas na prisão. (cortaram as asas dele).
Você deve ter observado que os pronomes oblíquos átonos sempre veem ligados a um verbo. Essa partícula, átona (fraca) não "sobrevive" sem estar colocada junto a um verbo. Poderíamos compará-los a um parasita que precisa de um hospedeiro para sobreviver.
Você observou também que esses pronomes podem ser colocados em três posições diferentes: antes do verbo "O professor não me perdoou..."; no meio do verbo "  Perdoar-lhe-ia o atraso?" e no após o verbo "Perdoou-me a garfe.". 


Chamamos essas posições de:
1) Próclise: quando o pronome for colocado antes do verbo.
2) Mesóclise: quando o pronome for colocado no meio do verbo.
3) Ênclise: quando o pronome for colocado após o verbo. 


Essas colocações seguem regras estabelecidas pela norma culta da gramática, muito embora quase não sejam seguidas pelo falante atual da língua portuguesa, essas regras costuma "atropelar" os vestibulandos em questões objetivas de gramática.

2. REGRAS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL: abaixo explicitamos essas regras.
 2.1. A próclise é obrigatória: (nos exemplos que seguem, os pronomes e as palavras que os atraem estão em negrito, os verbos sublinhados)

a) Depois de palavras negativas (não, jamais, ninguém, nunca)
     Exemplos: O governo não nos garantias sociais.
                    Ela nunca me falou desse caso.

b) Após conjunções e advérbios (quando, se, caso, sempre, talvez)
    Exemplos: Ela, quando me viu, virou as costas.
                    Amanhã te contarei a verdade.

c) Se houver pausa após o advérbio, usa-se a ênclise.
    Exemplos: Amanhã, contarei-te a verdade. (Veja que essa regra está muito longe do uso comum da língua, no entanto é preciso ficar atento à ela nas questões de prova escrita.).

d) Depois de pronomes relativos, indefinidos (algum, nenhum, todo, outro, alguém, ninguém, outrem) e demonstrativos.
                               
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
O QUE EXPRESSAM
Isto e este
Expressam um referente próximo ao falante ou no tempo presente.
Isso e esse
Expressam um referente próximo ao ouvinte ou em tempo passado ou futuro próximo.
Aquilo e aquele
Expressam um referente afastados tanto de fala quanto de quem ouve ou uma época remota.

Exemplos: Isto me deu uma ideia.
                 Entre todos os amores que tu tiveste, aquele te levou para o fundo do poço.
                 Ninguém te avisou da reunião de hoje?
2.2. Usa-se a próclise ou a ênclise:
a) Com os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles).
    Exemplos: Eu te pedi para entrar / Eu pedi-te para entrar.
                     Nós nos amamos muito. / Nós amamo-nos muito.
b)  Com o infinitivo não flexionado precedido de preposição ou palavra negativa.
     Exemplos: O rapaz teve coragem para lhe confessar o amor. / O rapaz teve coragem para confessar-           lhe o amor.
                     Se ela não me falar toda a verdade, vou embora. / Se ela não falar-me toda a verdade, vou embora.

3. Usa-se a mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
     Exemplos: Comprar-lhe-ei uma bela casa. (Futuro do presente - comprarei)
                     Comprar-lhe-ia uma bela casa. (futuro do pretérito - compraria)
4. Usa-se a ênclise:

a) Quando o verbo incia a oração.
   Exemplos: Ouviram-me todos com atenção.
                    Comprei-te os sonhos mais caros.
Observação: essa é uma regra básica da colocação pronominal, não se inicia oração com pronomes oblíquos.

b) Quando o verbo está no imperativo afirmativo:
     Exemplos:  O juiz ordenou: Traga-me o manual.
                     O réu apenas respondeu: Faça-se o que diz a lei.
c) Quando o verbo está no gerúndio.
     Exemplos:   A secretária me entregou toda a documentação, explicando-me como deveríamos proceder.    
                       Levou-o para o fundo do salão, pedindo-lhe que se acalmasse.



Exercícios

Leia o poema abaixo para responder as questões.

Pronominais

Dê-me um
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

(Oswald de Andrade)

1. Nesse poema Oswald de Andrade faz uma crítica a tradição purista da língua, segundo a qual os pronomes oblíquos devem seguir uma restrita regra para o seu uso. Qual desses regras expressamente está "quebrada" pelo autor no poema? Indique em quais versos isso fica claro.
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2. "Torturar o eleitorado com um plebiscito sobre reforma política equivale a repassar-lhe um problema de física. Plebiscito se fazem com enunciados simples, que envolvem no máximo rudimentares cálculos aritméticos. Por exemplo: 
        Em nove oportunidades, uma cliente pagou 400 reais ao profissional que lhe fez o penteado e a maquiagem. Na décima , pelo mesmo serviço, foram-lhe propostos 3125 reais. A cliente deve concordar com a proposta? Sim ou não?" (Roberto Pompeu de Toledo - Revista Veja, 3 de julho de 2013).

a) O pronome oblíquo átono lhe  foi usado três vezes no trecho em análise. Na primeira e na terceira vez, em posição de ênclise; na segunda vez em posição de próclise. Quais as regras que justificam a colocação do pronome em cada uma dessas ocorrências?
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b) Qual a função sintática que esse pronome está exercendo em cada uma de suas ocorrências nesse trecho?
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3. "Se isso te disse ele, estás a par de tudo. Assiste-me, portanto, o direito de interrogar-te acerca daquilo mesmo sobre que me interrogas." (EDIPO REI, DE Sófocles).
Julgue as afirmativas com relação ao uso dos pronomes oblíquos átonos nesse trecho e marque a alternativa correta. 
I. No primeiro caso (te disse) acontece a próclise devido o uso do pronome demonstrativo isso que aparece antes do verbo.
II. No segundo caso (Assista-me) ocorreu a ênclise porque a conjunção portanto atraiu o pronome para essa posição.
III. No terceiro caso (interrogar-te) houve a ênclise, mas também poderia acontecer a próclise ( te interrogar).
IV. No quarto caso (me interrogas) houve a próclise porque o pronome relativo que atrai o pronome oblíquo para essa posição. 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Todas as afirmativas estão erradas.
c) Somente a I e a III estão corretas.
d) Somente a IV está correta.
e) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.

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