sexta-feira, 5 de abril de 2013

SHOW DO DJAVAN - UM GRANDE ARTISTA PARA UM PÚBLICO ERRADO


Sem dúvida que Djavan é um grande artista e foi uma excelente escolha de quem tem bom gosto para música. Carreira invejável não só como intérprete da MPB, mas também como compositor. O secretário de Cultura e o prefeito estão de parabéns por ter proporcionado aos ouvintes da MPB um grande artista desse quilate. Desde 1976, quando estreou com disco "O disco, a voz, o violão de Djavan", um disco de samba sacudido, sincopado e diferente de tudo que se fazia na época, até 2007 quando parou de compor para realizar um outro sonho, gravar músicas de outros compositores, o disco "Ária", lançado em 2010, esse brilhante artista deliciou nossos ouvidos com melodias de diversos ritmos. 
Na virada da madrugada de hoje, quando nossa cidade relicária fez seus 100 anos, os ouvintes da boa música de nossa MPB que lá estavam puderem ter o prazer, após uma espetacular queimas de fogos, ouvir esse grande cantor.
 Pena que esses ouvintes da boa música de nossa MPB parece que estavam em números bem reduzidos, pois o que se via, com exceção de duas músicas que Djavan contou acompanhado de milhares de vozes, que foram temas de novelas, era uma plateia completamente alheia ao que acontecia no palco. Muitos grupos bebiam e conversavam como se não estivesse ali um grande ícone de nossa música. Outros, bastante jovens, debochavam da performance do artista em palco. Fiquei preocupado com uma rapaz que dormia encostado no alambrado do alto de um camarote. Era agoniante ver o cantor dando o máximo de si e pessoas apáticas a ele. 
Foi um artista certo, escolhido para os ouvintes da boa música de nossa MPB se deleitarem no centenário de Marabá, o público é que pareceu errado.  Estavam ali milhares de pessoas que amam uma "boa música", mas não no estilo Djavan, ficou claro. Uma plateia popular ávida por um batidão, um brega, um "Leque, leque, leque", talvez, não sei, uma dessas coisas que chamam "Sertanejo universitário", ou uma daquelas cuja moda agora é falar de carro. 
Foi o que vi, foi o que observei. Valeu prefeito por nos proporcionar Djavan Caetano Viana, esse nordestino de Maceió, que conquistou o mundo com seu talento de compositor e sua voz belíssima.   

Reações:

9 comentários:

  1. Eu tambem tive esta mesma impressão, achei até esta sendo muito critica, ou talvez incomodada pela falta deinteresse, pois o bom apreciador da musica popular brasileira tinha a obrigação de prestigiar DJAVAN, afinal é muito raro um show deste calibre em nossa região, eu só lamento por quem não consegue compreender o previlégio de ver e ouvir um artista como djavan.

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  2. Estar em um espetáculo protagonizado por Djavan Viana é simplesmente um Privilégio.

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  3. Acontece que a maioria do povo aqui, tem mau gosto musical, amam um brega, um forró, um funk, um "Gatinha Assanhada", etc... Esse tipo de bom gosto musical não faz parte da cultura daqui, uma minoria aprecia.

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  4. Estive no show do Djavan, bem ao lado do palco, próximo aos camarotes (entre ambos). Algumas músicas tive dificuldades de entender, pensei que fosse a minha localização lateral.

    No entanto, após perceber a apatia popular, seguidas músicas em plena monotonia, aproximei-me do palco e incentivei à algumas pessoas a pedirem "Flor do Lis". Percebi que o som continuava ruím. Nem ouvi quando o artista informou que cantaria todas.

    Tive o prazer de ouvir, cantar e fazer coro com a música solicitada. Fiquei satisfeito em ver todo o público presente em uma só voz.

    Mas, vossa senhoria tem razão. A boa música está guardada em detrimento de outros gostos musicais da atualidade.

    Outro detalhe, vi um artista que presenteava com o seu belo repertório e apresentendando muitas mais do que esperava. Na minha contagem, que sai antes do final, já havia entoado 16 músicas, com o mesmo toque de classe e profissionalismo.

    Resta-me agradecer aos que tornaram possível a presença da boa música e dizer que mexeu com meu coração.

    Arnilson

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  5. Em compensação no show de César Menotti e Fabiano, o coral de 30 mil vozes encantou no trecho; É aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar, pois não há, lugar melhor que MARABÁ!!! Foi lindo, excelente show. Adorei!!!

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  6. Não penso que o povo de Marabá tem péssimo gosto. Pelo contrário, esse "péssimo gosto" tem em todo lugar. Quem foi que inventou esse tal de funk, ou sei lá o quê? Foram as pessoas de bom gosto do Rio e São Paulo. Quem inventou esse tal de sertanejo universitário que nunca se formou? Foram as pessoas de bom gosto do Goiás, MG e alguns estados daquelas bandas. Música boa se produz em todo lugar, e música ruim também. Quem aprecia boa música está em todo lugar, e quem aprecia as ditas "ruins" também. Prova disso é que bons compositores/cantores estão em todo canto: Caetano e Betânia (Bahia), Nilson Chaves (Pará), Zeca Baleiro (Maranhão), Renato Russo (RJ e DF), e isso só pra citar alguns. Da mesma maneira que ouvir leque-leque soa péssimo nos meus ouvidos, pra quem gosta de leque-leque uma música de Djavan também é um absurdo. Agora, como o show era 0800, não havia nenhum impedimento de qualquer pessoa ir ao show. Aliás, eu mesmo já paguei para ir a shows e saí decepcionado. Viva a cultura de todos, ainda que a nossos olhos a cultura dos outros não pareça cultura.

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  7. Somando-se a apatia do público, meu caro Aurismar, eu gostaria de registrar a falta de respeito da Prefeitura Municipal de Marabá para com seus cidadãos trabalhadores que levantam 5, 6 horas da manhã todos os dias para pegar no batente. Primeiro colocaram uma espécie de gaiola, talvez por medo de contaminação por pobrecite aguda, onde separaram todos os bem-nascidos de Marabá devidamente sentados, enquanto o povão, a força produtiva de Marabá, que paga todos os seus impostos em dia, que pega no pesado mesmo, teve que ficar em pé, esperando um show que estava marcado para começar as 9 horas, começar mais de meia noite (pelo que me disseram, porque eu não esperei, pelo desrespeito, fui embora as 23:30 H). Sinceramente, me sentí na África do Sul em pleno Apartheid ou na Grécia antiga ha alguns milhares de anos atrás.

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  8. Não concordo que seja o cantor certo para o público errado. as pessoas merecem sim ter bons shows como Djavan, Zeca Baleiro e outros. a questão é que as pessoas, na grande maioria, não estão acostumadas a apreciar MPB. Para a classe trabalhadora e seus filhos sempre foi negado o acesso aos bens culturais de qualidade, e infelizmente não é esse tipo de música que se tem acesso nos canais abertos que é o que a maioria da população assistem. Nossos filhos não tem como apreciar Djavam, Caetano Veloso, Ivan Lins e outros artistas de melhor qualidade se não tiverem esse referencial em casa, na escola, na Universidade, nos grupos sociais em que participam, ETC. E essa carencia vem desde as escolas, onde os professores deveriam discorrer sobre problemas contemporâneos que representam carências sociais concretas. Aliás nas escolas por exemplo, pouco se estuda sobre a história local, História e Cultura Afro- Brasileira, da História do Pará e de Marabá, da História da cultura indígena, sobre os estilos musicais, a musica popular brasileira, enfim...só porque agora é ESSA FEBRE DO centanário, vemos alguns projetos sendo trabalhados timidamente, mas sem nenhum aprofundamento, mas enfim...dizer que o povo é apático, indiferente só porque não se reverenciou ao Djavam, e diga - se de passagem só porque fazemos parte de uma minoria pobre que teve acesso a uma Universidade de qualidade e fizemos um curso superior ou porque tivemos a oportunidade de nos inserirmos nesso pequeno grupo que aprecia uma boa música, é negar toda uma dívida histórica do País a milhões de brasileiros, que desde a colonização tem seus direitos negados. E ainda, continuar acreditando que ao povo deva ser oferecido apenas PÃO e CIRCO. A indeferença ao Djavam talvez seja um reflexo disso. Certa vez perguntei a um amigo órfão de pai: Você não sente falta do seu Pai? Aí ele me disse: "Se vc tiver uma televisão preto e branço e nunca tiver tido nem visto uma colorida, você nunca vai sentir falta de uma colorida. As pessoas não podem sentir falta do que nunca tiveram". Abraços pra vc Aurismar e para todos que seguem seu blog. Stela.

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    1. Quanto à história de Marabá e do Pará, isso não se aprende na escola porque parece haver uma orientação para não falar sobre isso ou os próprios educadores decidiram por própria conta omitir a história, talvez por vergonha de contar que a cidade, a região e quase a totalidade do estado foi colonizada pelos maranhenses primeiramente. Tem gente que diz por aí que Francisco Coelho era goiano. Bom, se era eu não sei, mas a história diz que ele veio de Grajaú no Maranhão. Estava ele passando por lá a procura de algum lugar para morar? A princípio a história diz que ele era morador daquela cidade, de onde vieram os Mutrans e que até hoje existe uma família Mutran por lá. Eu creio que é mais por vergonha que omitem as origens. Eu sei mais sobre Marabá que os próprios nascidos aqui. E aí dá nisso. Ah! Lelek, lek, lek...

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